meu coração é uma livraria que vende café ao som de “sei chorar”
Entrei sozinha, saí sozinha. Mas o durante foi preenchido. Era tudo muito calmo, as pessoas conversavam a pares, algumas em grupos e, mesmo que eu as olhasse, elas não viam de volta. As estantes me eram coloridas, títulos que nunca vi, títulos que já ouvi falar e não li, mangás estranhos, música ambiente, frio, noite, cafeteria.
Eu me sentia dali.
É, é possível.
Não diria que sou “complexa” talvez porque é uma das coisas que inutilmente sinto vergonha do que vão pensar. Apesar delas o dizerem, e ainda serem queridas.
Penso que descobri o por quê do meu abandono sempre que crio um laço; eu não quero que se saturem de mim. Que tudo o que sou passe a ser normal, rotineiro, desinteressante… Ou mesmo que eu cometa um erro (como pessoa ou como amiga) e tenha a súbita reação de fugir, e fique sozinha.
Não sou tímida, não sou arrogante, só tenho receio.
Acho que nunca fui tão eu mesma.
Parece uma frase fútil que só é ouvida nessa geração, percebo que não, quando meus pais a reafirmam de outras formas.
Tenho dito muito “eu sempre…” em seguida penso que, os gostos permanecem, as ações, os trejeitos, mas só são válidos se eu os faço desde a infância?
Não gosto mais tanto de nadar, sou menos eu? é um sentimento falso?
Desde criança, quando tinha um pote como a embalagem de Vick ou uma lata de doce de leite eu os mexia, rodava e esmagava até ficar sem forma, pastoso.
Então os montava como antes, até virar uma superfície reta.
Mesmo na época da natação meu maior prazer era a sensação de posse que tinha o meu quarto, com a luz azul da televisão refletindo a janela do cômodo escuro passado ás três da manhã, é incrível porque não consigo descrever o quão bom era, só o percebi quando estava a essa mesma hora fora de casa, rodeada de pessoas num grande lugar estreito e mal iluminado desejando por Deus estar naquele cômodo de novo, o que me pertencia.
Hoje o que me mantém sã é escrever. Quando me vejo ansiosa, angustiada, com medo e nervosa, escrevo sobre o momento atual. Não como um desabafo mas mais como um relato cotidiano, porque sei que tudo muda, a mudança do que foi escrito há 1 ano me dá ânsia de vida.
Geralmente tem que se errar pra acertar,né?
Tenho receio de ser eu mesma.
Mas não vale a pena, a maior parte do tempo quero me isolar enquanto imagino como seria minha vida se eu não fosse assim. Não é justo reprimir qualquer felicidade repentina.
Também penso “como deve ser a vida deles hoje?” penso porque nunca mais me relacionei daquele jeito. Então faz falta.
isto é belo, tenho apenas isso a dizer.
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