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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

professora Charlotte

 

professora charlotte


     Encarava os algodões brancos ao céu preto da noite pela janela, imaginando que lhe buscariam para andar sob elas. Via-se pulando de nuvem em nuvem, e dizia que não eram macias. 

Estava olhando sem ser observada. 

E isso a contentava. 


   Observava as mini pessoas às cadeiras danificadas, rabiscadas e bambas com um olhar que não lhes posso descrever. Era melancólica sempre, mas um dia em especial, não estava assim. Estava inquieta, balançava as pernas ao chão com um sapato pontudo e surrado, roía as unhas que já não tinha, passando a morder as cutículas da mão esquerda, enquanto escrevia em uma caderneta preta pouco maior que sua mão com a direita. 


 

Aguilhão da Rosa

   Num pequeno jardim, vivia uma rosa encantadora. A quem não aceitava tal adjetivo. 

   A rosa se estreitava para que 5 pequenos brotos pudessem ser agraciados pelo sol. Antes que ele amanhecesse, já ela estava estreita. A querida rosa pedia aos céus que encontrasse um cravo a quem lhe gostasse, e fosse recíproco. 

E assim foi feito. 

Quando o sol amanheceu, a rosa notou um aguilhão crescendo em seu pedúnculo, atingindo sua sépala. Não foi isso que pediu. Mas a notória rosa não se importava, pois agora tinha alguém a quem amar, e ser amada. Mas, um dia sua sépala se rasgou, o aguilhão disse que a culpa era da rosa, ela o fez rasgá-la. A rosa assentiu. Mesmo com dor, num suspiro, se desculpou. A pequena rosa então, teve seu broto. Este que era muito astuto, notou que a sépala da rosa a pertencia, e o rasgar dela não era sua culpa. A rosa ficou confusa, cresceu vendo rosas serem espetadas por seus aguilhões, como isto não poderia ser culpa delas? O broto estava certo, não era. A rosa então, foi ter com o aguilhão. Disse-lhe que não mais aceitaria o rasgar de sépalas. Quem era ele para rasgar as sépalas de uma linda rosa? tratando a como posse, quando o pedúnculo em que este crescia, a pertencia. O pequeno broto, feliz em ajudar a rosa, foi buscar adubo, assim suas sépalas floresceriam ainda mais. 

Quando o pequeno broto voltou, não havia mais rosa. 


   Após escrever, parou um instante, um instante que durou horas, pensando em como a rosa não chegaria a ser enferma se soubesse disto mais cedo. 

   Esta poderia ser a última vez que via seus alunos. Temeu isto. 

Talvez fosse, e se haveria de ser, que seja como sempre foi; como fez ontem, anteontem e seus sucessores, sem mudar um suspiro, um passo ou  olhar, que fosse como sempre fizeste. 


 Ensinava a escrever, a ler, a interpretar, ponderar e criar. A diferença entre poema e poesia, a identificar os tipos de narrativa, foste boa no que amava. 


Charlotte não fora excepcional ou mesmo especial, fora puramente humana.

Era assim, uma criatura inteiramente humana. 


Nunca a buscaram para andar sob as nuvens. 


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